domingo, 1 de maio de 2011

Café com ovo

Em Santiago, Chile, conheci um vietnamita que fez uma lista de comidas que eu deveria experimentar em Hanói, mas de longe o que me despertou maior curiosidade foi o café com ovo. No meu primeiro dia em Hanói fui em busca dessa especialidade, com o nome da rua e do lugar em mãos. Circulei pela rua inteira, do inicio ao fim, e não encontrei o tal lugar. Perguntar onde era não adiantava, já que ninguém entendia o que eu queria encontrar. Só apos entrar em uma agencia de turismo que me foi extremamente solícita, consegui o numero do restaurante - não que eles conhecessem, mas fizeram uma busca na internet pra mim.

Entrada do café, pra ninguém se perder como eu.


A entrada era estreita, e o café ficava no final do corredor. Pedi um “café giang”, hot, e claro que não aguentei esperar e fui atrás do garçon na cozinha pra ver como eles iam fazer o tal do café. Na verdade eles já têm uma mistura pronta, que tiram da geladeira e que parece uma gemada (mais tarde através de mímicas e desenhos descobri que é uma gemada com leite). Botam na xícara junto com o café, que por si só já é uma delícia (o café vietnamita tem um gosto de baunilha, ou meio achocolatado para o paladar de alguns). Tomei o quente e pedi um gelado, pra poder comparar. Ambos são ótimos, o gelado com mais gemada e menos café do que o quente. Não entendo porque nenhum guia de viagem fala sobre isso, aparentemente é costume antigo em Hanói tomar esse tipo de café. Bom, fica aí a dica no “Guia da Laura”!



Hanoi

Se Ho Chi Minh é a cidade dos parques, Hanoi é a dos lagos. É só ver os mapas das duas cidades pra perceber que onde uma tem verde, a outra tem azul. E como não podia deixar de ser, tem também muitos templos e um trânsito maluco.

Fui recebida em Ho Chi Minh pela Erika, uma italiana que conheci na Austrália, no tour que fiz pela Great Ocean Road. Ela veio morar no Vietnam por 2 anos, pois o namorado dela, que trabalha pra Vespa, foi transferido para Hanói (adoro as profissões óbvias! Na Austrália também conheci um suíço e adivinha o que ele fazia da vida? Conserto de relógios! :) ). A Erika foi, e ainda está sendo, uma mãe pra mim: me ajudou com a organização da minha programação nos meus últimos dias no Vietnam, me levou pra passear pela cidade, e no dia em que fui para Sapa me deu até lanchinho pra levar na viagem!

Eu e Erika.

Danang

Desde que comecei essa viagem, algumas vezes tive a sensação de que o dia não podia ser mais perfeito. Foi assim no dia do meu aniversário quando saltei de paraquedas, no meu último dia em Melbourne quando reencontrei minha amiga May, em Pangandaran quando fiz o passeio para o Green Canyon, e agora neste dia que passei em Danang.

Os guias não falam muito sobre esse destino, mas decidi checar pois havia sido recomendada por um amigo: “vai à China Beach, perto de Danang, e fica com o Hoi!”. Desci do ônibus no centro de Danang e peguei uma moto-taxi até China Beach. Não tinha ideia de onde ficava o tal do Hoi, e também não tinha como perguntar por que, pra variar, o motorista não falava inglês. Casualmente passei na frente de um lugar que se chamava “Hoa’s Place”, e pedi pra parar. O Hoa tava lá sentado no restaurante, e a primeira coisa que me perguntou, com um inglês perfeito, é se eu tinha sido recomendada por alguém. Enquanto eu fazia o check in (quarto a 5 dólares, na beira da praia), ele me explicou o esquema do lugar: “temos aqui o cardápio, quando quiser qualquer coisa é só anotar no papel e entregar pro garçom. As bebidas estão na geladeira. Qualquer coisa que quiser é só se servir e anotar no caderninho, paga na saída. A janta é servida às 19h, jantamos todos juntos. Se precisar alugar moto ou prancha de surf, também alugamos aqui”. Além do esquema ótimo, as bebidas e comidas eram baratas e excelentes!

Hoa e eu.

Janta comunitária: ótima forma de conhecer pessoas!

No dia em que cheguei tava meio nublado, mas no segundo dia abriu um solaço. Acordei cedo e fui pra avenida principal tentar uma carona pra ir pra praia ao lado. A espera não chegou a ser de 5 minutos, uma guria parou a moto e me levou até onde eu queria. Aluguei uma prancha e surfei por 2 horas e meia, com a praia todinha só pra mim! E por não ter ninguém olhando, progredi no meu surf: não passo mais pela etapa de ficar de joelhos na prancha, finalmente agora consigo ficar de pé direto. :)  Devolvi a prancha e voltei a pé para o meu hotel, 1 hora e 15 caminhando pela beira da praia. Cheguei e comi um peixe delicioso, num dos meus pratos preferidos do Vietnam: rolinhos de folha de arroz. A folha de arroz é dura e quase transparente, mas é só umedecer que amolece e fica meio grudenta, o que possibilita fechar o rolo. No meio se põe o que quiser, mas geralmente muita salada e algum tipo de carne. E pra finalizar, molha-se o rolinho em um molho de peixe levemente apimentado. Muito bom!


Infelizmente minha estada foi curta porque já estava com meu voo marcado pra Hanoi. Esse é o tipo de lugar que se chega e não dá mais vontade de ir embora. Ah, e pra completar, há 10 minutos a pé tem a Marble Mountain (montanha de mármore), com vários templos, alguns dentro de cavernas enormes, e de onde se tem uma vista panorâmica da praia ao se chegar ao topo.

Vista de China Beach, do topo da Marble Mountain.


Mas Hanoi me espera, e lá vou eu outra vez!