quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

3 dias na estrada

31/12 12:20 (21:20 do dia anterior em Brasilia)
Não tenho tido tempo nem de respirar nos últimos dias.  Desde que entrei no ônibus, é uma atividade atrás da outra, só 30 minutos para cada refeição e muitas explicações dos lugares por onde a gente passa enquanto estamos viajando.  Pra quem me perguntou, Kiwi Experience é uma agência de turismo neo-zelandesa (www.kiwiexperience.com). Eles oferecem diversos roteiros, e todos exigem uma disponibilidade mínima para viajar e máxima de 1 ano. O que comprei tem duração mínima de 22 dias. Então funciona assim: o motorista do ônibus é guia também. Ele vai explicando por onde passamos e parando no meio do caminho. Chegando no lugar de destino, se gostar e decidir ficar mais tempo, não tem problema, é só avisar o motorista e pegar o ônibus de novo no próximo dia que ele sair. É legal porque apesar de er um tour, dá flexibilidade para ficar nos lugares mais legais. Eu tenho meio que planejado onde quero ficar mais, mas posso mudar de ideia no meio do caminho.
Agora estou indo de Waitomo para Taupo, uma viagem de aproximadamente 2 horas, um pouco mais longa que as outras que fiz até agora, e por isso estou tendo tempo de escrever. Desde terça-feira, dia 28, já passei por Mercury Bay (Cathedral Cove e Whitianga), Paeroa, Matamata, Rotorua e Waitomo. Infelizmente no primeiro dia, que foi quando passamos pelas praias, tava chovendo, mas mesmo assim deu pra ver como a beleza do lugar. Fui até a beira da praia em Whitianga caminhar, o mar até que é quentinho. Tinha muitas pessoas dentro do mar catando mariscos e derivados, não precisa entrar muito fundo pra encontrar vários. Peguei alguns só por diversão e devolvi, porque infelizmente não gosto de comer nada que venha em conchas.
Cathedral Cove.

Whitianga.

Paeroa e Matamata foram só algumas paradas no meio da viagem. Em Paeroa tem uma reserva por onde fizemos uma caminhada de uns 45 minutos (Karangahake Reserve), e Matamata foi uma das locações do Senhor dos Anéis.
Karangahake.

Eu e Gollum.

Rotorua na verdade é mais legal do que eu esperava. Sempre ouvi falar que a cidade fedia a enxofre, mas o cheiro não é tão ruim assim. Na verdade, depende de onde se está, alguns lugares não tem cheiro nenhum e outros fedem mesmo (perto das águas termais o cheiro é insuportável!).  Pra se ter uma ideia de como é cheiro de enxofre (eu não imaginava como era!), é só passar um dia inteiro comendo ovo.  Qualquer gás expelido do corpo depois disso, é igualzinho ao cheiro de enxofre (nojento, mas é verdade!). Tem fumaça saindo do chão da cidade inteira devido a atividade geotermal, o que para quem mora lá é uma vantagem, pois eles tem calefação natural durante o inverno.
Rotorua.

Em Rotorua começam a aparecer as atividades de aventura. Rafting, Zorb, Bungy, Swing... Desses todos, fiz o swing, que é mais ou menos como um bungy mais suave, com pouca queda livre e sem ter que se atirar. Eles amaram a gente dentro de um saco tipo saco de dormir, puxam pro alto de um guindaste e aí tem que puxar uma cordinha pra cair e balançar. Fiz junto com 2 gurias, uma da Dinamarca e outra de Israel.

Zorb.

Eu que puxei a cordinha!

Ainda em Rotorua visitei uma vila Maori, onde tem uma demonstração de como os maoris viviam, os rituais, danças, e comida típica. Achei muitas coisas parecidas com os Rapa Nui da Ilha de Pascoa, dá pra ver que a origem das duas culturas é a mesma.

Waitomo é uma cidadezinha pequena, onde se para basicamente por causa das cavernas. Fiz um passeio de 5 horas nas cavernas. Pra entrar na caverna, fazemos um rapel de uns 35 metros e depois de entrar uma tirolesa pra chegar mais perto da água. Aí eles servem um chocolate quente com bolo pra esquentar e distrair a galera, dão uma boia pra cada um, tipo pneu, e tem que pular com a boia direto na água congelante da caverna, uns 2 metros de altura mais ou menos. Essa é a parte que mais dá medo, é relativamente alto e tem que pular sentado na boia já. Aí ficamos um tempão andando pelo rio e vendo o teto das cavernas que parece um céu estrelado, devido aos Glowworms. Glowworm é um inseto tipo um vagalume que brilha sempre, e que usa o brilho pra atrair comida. Bem bonito. E congelante, chegou um ponto em que eu não sentia mais os dedos do pé. Depois de um tempo andando pelas cavernas (tem partes bem estreitas pra ir de um ponto a outro, tipo aquela cena dos Goonies que eles tem que mergulhar pra chegar do outro lado, sabe?), eles servem chocolate e um Tang quente pra distrair de novo (o Tang tava fervendo, queimou minha língua, mas joguei nos meus pés e não senti a menor diferença!) e aí voltamos pra superfície escalando uma cachoeira. Foi bem legal, valeu a pena! Não tenho fotos disso porque como era na água não tinha como levar a câmera, infelizmente.

Antes de entrar na caverna.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Na Nova Zelândia

27/12, 21h30 (06h30 em Brasilia)
O voo foi tranquilo apesar de estar cheio. 13h de voo, consegui dormir um pouco e assistir a um filme. Chegando em Auckland, veio o medinho da Imigração. Nunca tinha tido problema com isso, até o ano passado, quando me mandaram pra salinha nos EUA e na Australia me pegaram 2 vezes pra fazer várias perguntas. Enfim, é sempre uma apreensão, ainda mais viajando do jeito que estou, sem tempo certo para ficar em cada lugar. Deixei os cachorros me cheirarem (aqui eles tem isso antes de entrar na fila, pra ver se ninguém tem nada escondido) e entrei na fila da Imigração. Só depois me dei conta de que estava na mais demorada, o cara sério e enchendo todos de perguntas. Fazer o que, trocar de fila ia ser pior. Chegando a minha vez, todas aquelas perguntas. No formulário que entregam no avião perguntava o endereço onde eu ia ficar hospedada, então coloquei o endereço do meu host em Auckland. E a conversa foi a seguinte:
- Quem mora em Takapuna?
- Um amigo. Na verdade to fazendo Couch Surfing.
- Tu conhece ele pessoalmente ou só pela internet?
- Só pela internet. (Cagada de medo já!)
- E tu não tem medo de ficar na casa de um desconhecido?
- Minha mãe fala a mesma coisa. Na verdade não, a gente se falou bastante antes, ele tem várias referências deixadas por outras pessoas que ficaram na casa dele, não acho que tenha problema.
- É, a Nova Zelândia é um país bastante seguro, não acho que tu vai ter problema não. Mas no Brasil não sei como seria... Sorte de quem ficar na tua casa. Takapuna é uma região legal. E ano novo, onde vai passar?
- Provavelmente em Taupo. Estou fazendo Kiwi Experience, então posso ficar em outro lugar antes. O que tu acha de Taupo? (a essas alturas já era melhor amiga do cara da Imigração! )
- Fulano (chamando o cara do outro guichê), tu já passou algum réveillon em Taupo? Vai ser bom sim, tu gosta de pescar?
- Não sou muito chegada não, mas me contento com a paisagem.
- Aproveita a tua viagem então!
Entrei! E descobri também que as pessoas da Imigração conhecem Couch Surfing, que dá pra falar nisso sem problemas. Aí já tava tranquila, peguei minha mala, quando ia passar pelo raio X, outra mulher me para e faz todas essas perguntas de novo, e dessa vez pediu pra ver minhas passagens. Mostrei as que tenho até então, ela viu que eu tava indo pra Australia e pediu inclusive minha passagem de saída da Australia, que eu ainda não comprei.  Falei pra ela que vou ficar 2 meses na Australia, mas que ainda não comprei a saída porque não sei se devo sair de Darwin ou de Cairns, mas que com certeza não vou entrar na Australia sem ter a minha saída de lá. E usando a mesma tática já perguntei pra ela o que ela achava, se ela conhecia as duas cidades.  Mais uma vez funcionou, me deu dicas e me liberou. Agora sim, definitivamente na Nova Zelândia!
Peguei o transfer até o centro e encontrei com o meu host que foi me buscar. Super simpático e solícito, já fez um tourzinho comigo antes de ir pra casa. Aí fomos pra praia de Takapuna, aproveitamos por uma hora mais ou menos e o tempo fechou.  Saímos da praia e fomos então dar uma volta de bike por North Shore, a parte norte da cidade. Bem legal, tem muitos parques, ciclovias e muito morro, então não foi fácil a pedalada, ainda mais pra uma pessoa que não ta acostumada a andar de bicicleta como eu.

Thomas, a torre de Auckland, e eu.


Quem tá cansada, eu?


No final do dia, o tempo melhorou de novo e voltamos pra praia, e aí deu pra dormir um pouco e descansar da viagem, até o vento frio nos acordar.

Por enquanto, 2 coisas me chamaram atenção na cidade. A primeira é a confiança que se tem na pessoas . A casa do Thomas, onde estou ficando, está sempre com a porta aberta, eles não trancam nunca. Ele falou que não ia me dar a chave da casa porque não precisa, é só entrar quando quiser. Outra coisa que nunca tinha visto é o Self Check Out nos supermercados. Tem uma sessão com uns 6 caixas, onde cada um passa os códigos de barras dos produtos, paga e vai embora. Tem 1 pessoa só controlando isso. Imagina se isso ia funcionar no Brasil!

A segunda coisa é que nunca vou me acostumar com essa coisa de dirigir do lado contrário. Cada vez que ia entrar no carro do Thomas ia pro lado do motorista e ele me perguntava: Vai dirigir? Heheheh, me sentia muito atrapalhada. Porque isso não aconteceu uma vez só, mas todas, com exceção de uma que me concentrei muito pra ir pro lado certo. E  pra atravessar a rua o melhor é olhar para os dois lados mesmo, na dúvida.
Amanhã começo Kiwi Experience, vamos ver como vai ser!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

Santiago está longe de ter o mesmo clima natalino que vemos no Brasil. São poucos os enfeites se compararmos com a overdose de luzinhas e papais noéis que temos. Músicas de Natal então, não ouvi em nenhum lugar até agora.

Hoje lembrei que era Natal. Quando fui descer do ônibus, arrisquei um "Feliz Navidad" ao motorista. Ele ficou tão contente! E consequentemente, eu também. Acho que isso realmente não é comum por aqui.

Feliz Natal a todos! Aproveitem bem com suas famílias se estiverem perto, ou lembrando dela se estiverem longe. É o que vou fazer hoje!