segunda-feira, 14 de março de 2011

Os caminhos pra Fraser Island e a situação dos aborígenes

São dois os caminhos que levam a Fraser Island: Rainbow Beach ou Hervey Bay. Depois de ouvir opiniões diferentes sobre de onde deveríamos partir, decidimos ir conhecer os dois. E acho que valeu a pena, porque não consigo dizer de qual dos dois gostei mais. Rainbow Beach é menor, menos visitada por turistas, com uma praia de areia extensa e firme, cercada de rochas de onde vertem pequenos fios d’água. Como praia, é mais bonita.

Rainbow Beach.

Por outro lado, em Hervey Bay ficamos em um dos melhores campings até agora: AU$ 18 a diária, com café da manhã incluso, piscina, hidromassagem, quadra de tênis e ping-pong. E foi também em Hervey Bay que conhecemos Scrub Hill, a comunidade/projeto aborígene de maior sucesso na Austrália.

A situação dos aborígenes infelizmente é muito pior do que as dos maoris na Nova Zelândia. O governo os ajuda financeiramente como uma forma de se desculpar pelo que fizeram com eles no passado, mas o fato é que há ainda muito preconceito e os mesmos vivem como mendigos pelas ruas, principalmente mais ao norte da Austrália. Dificilmente conseguem empregos, não são admitidos em bares e restaurantes e a desculpa para isso é a imposição de regras de vestimenta diferentes do que seria o tipicamente utilizado pelos aborígenes. Foram milhares de tribos que se desfizeram quando os europeus chegaram na Austrália e levaram as crianças para serem catequizadas em missões. São poucos atualmente que sabem a que tribo pertencem. E por terem sofrido um passado de abusos, se tornou quase uma iniciação para a vida adulta que antes dos 20 anos se tenha passado pelo menos alguns meses atrás das grades.

Scrub Hill é atualmente coordenado por Norman e sua mãe, que é um exemplo para toda a comunidade. Tendo ouvido de seu filho que os professores ignoravam perguntas de crianças aborígenes, conseguiu permissão para visitar escolas e ter certeza de que todos estavam sendo tratados da forma como deveriam ser. Com esforço conseguiu comprar terras consideradas envenenadas devido a minas de alumínio que a cercavam, e a partir daí criou uma fazenda orgânica onde emprega e educa aborígenes e a todos que tiverem interessados em conhecer como eles vivem e tudo que aprenderam com seus antepassados: o uso de ervas medicinais, a manufatura de bumerangues, etc. Segundo Norman, eles recebem muito mais visitas de estrangeiros que dos próprios australianos.

Agora, não seria muito mais interessante fazer tours e ouvir as histórias da boca de um aborígene, que vive nessas terras ao que se estima ser aproximadamente 50 mil anos? Por que Austrália não educa mais seus ancestrais para uso na indústria turística?

Norman explicando que é da raiz dessa árvore que se faz o bumerangue.

domingo, 13 de março de 2011

Gold Coast x Sunshine Coast

Não entendo todo esse frenesi que as pessoas têm sobre Gold Coast. Nenhuma praia se destaca pela beleza, prédios enormes na beira mar, achei tudo meio sem graça. Fui pra Sunshine Coast já com expectativa baixa, esperando mais ou menos a mesma coisa. Pois não é! Sunshine é muito mais bonita, eu diria que todas as praias. Caloundra é perfeita pra quem faz kitesurf, deu até vontade de aprender! Maroochydore tem um por do sol incrível, e Noosa é a minha preferida, com um parque nacional na beira da praia.

Kitesurf em Caloundra.


O caminho pra praia de Noosa.


Noosa.


Ficamos três dias em Noosa e infelizmente tivemos que seguir viagem... O tempo é apertado e temos que chegar a Cairns, no nordeste da Austrália, em no máximo sete dias.

A Arembepe australiana

A cerca de 1 hora de distância de Byron Bay, no meio de vales e montanhas, se encontra Nimbin, um local que me havia sido recomendado para descansar. O que não tinham me falado era sobre a história e fama do lugar.

Nimbin é uma cidade verde. São várias as fazendas orgânicas que cercam a pequena cidade, que desabrochou depois de sediar o Aquarius Festival, em 1973. Os hippies chegaram pro festival e de lá nunca mais saíram. Proclamam atualmente a pequena vila de capital australiana da maconha. E com toda razão. Tudo faz alusão a erva: os nomes dos bares, as pinturas nas paredes, as pessoas na rua. Impossível conseguir qualquer tipo de informação de um passante, estão todos muito chapados pra dar qualquer resposta com coerência.

Hemp Bar, e as regras de conduta das ruas de Nimbin.


Rua principal de Nimbin.




De tão caricaturesco chega a ser engraçado. O museu da cidade é uma coleção de pinturas, frases e objetos que só fazem sentido por não terem sentido nenhum!

Entrada do museu de Nimbin.


Logo na entrada, uma senhora de aproximadamente 50 anos se oferece pra tirar uma foto que segundo ela é o melhor ângulo do museu. Assim que entrego minha câmera pra ela, ela mira pro teto e aperta o botão. Impossível não se divertir com a cena! A mesma senhora segue acompanhando e apontando tudo o que ela considera que deve ser observado com mais atenção: a frente de uma combi, um relógio de parede quebrado, um pedaço de uma boneca Barbie... Não, ela não trabalhava no museu nem era guia local, mas uma hippie que via magia nas pequenas coisas da vida. Assim como todos os cidadãos Nimbinianos.  

A sensacional foto do teto do museu!