Mostrando postagens com marcador Bali. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bali. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de abril de 2011

Encantadora Bali

Bali, para mim, ainda é minha ilha preferida na Indonésia. A maior parte dos mochileiros acha um absurdo a minha opinião, pois consideram Bali muito turístico. E por que motivo o que é turístico é ruim? No fundo não somos todos turistas? Mas enfim, Kuta é bastante turístico como a maioria diz, até por ser perto de Denpasar, onde fica o maior aeroporto de Bali. Ubud também é bastante turístico, e na minha opinião até mais que Kuta, mas todo mundo vai e adora! Agora, tirando esses dois destinos, o resto da ilha é bastante tranquilo, com poucos turistas e muitos balineses.

Alugamos um carro e pegamos a estrada central da ilha, que vai de Denpasar a Lovina. O caminho não pode ser mais lindo: terraços de plantações de arroz, templos, vales e montanhas. As estradas são todas pequenas e muito, mas muito movimentadas. Não existe muita regra de trânsito, mas limite de velocidade não é um problema, pois dificilmente se consegue atingir velocidade maior que 60 quilômetros por hora – eu diria que a média é de 40. Os carros, caminhões e motocicletas ultrapassam ao mesmo tempo, muitas vezes sem se importar se vem alguém no sentido contrário ou não, eles que desviem! E no fim tudo dá certo. Em um mês que passei na Indonésia, só vi um acidente de moto, e mesmo assim nada grave. Aqui as crianças dirigem motos desde os 10 anos de idade, e dificilmente se vê menos de 3 pessoas sobre uma. Mas voltando ao assunto, vale muito a pena alugar um carro pra ter a liberdade de parar para fotos. Em aproximadamente 4 horas se vai do sul ao norte, chegando a Lovina. Lovina é uma praia de areia escura, como a maioria por aqui, devido aos resíduos vulcânicos.

Vista da estrada, de Denpasar a Lovina.

Praia de Lovina, ao nascer do sol.


Chegamos a Lovina e fomos recepcionados pelas três Mades, que vieram oferecendo pulseirinhas, cangas, massagens e o que mais fizéssemos menção de precisar: fazemos qualquer negócio! Todos aqui são assim: se a gente pergunta as horas, oferecem relógios. Voltando pro hotel molhado do mar? Toalhas. Mas não é nada agressivo, chega a ser engraçado. Eles insistem um pouco, mas aí se a gente muda de assunto eles se divertem também, conversam, fazem as perguntinhas básicas: Where are you from?, Where are you going? What’s your name? E toda vez ao responder “Brasil”, o comentário é “Ohhh, Brasil!!! Ronaldo! Kaká!”. Meus amigos decidiram que iam começar a mentir que eram do Brasil, porque o entusiasmo não é o mesmo quando a resposta é “England”, ou “Sweden”, ou qualquer outro país europeu. Isso tem de monte por aqui, não é motivo pra empolgação.

Perto de Lovina visitamos um templo budista e águas termais. Lindos ambos, um dos pontos fortes da viagem.

Templo budista Brahma Vihara Arama.

Águas termais, ou Air Panas. Em Banjar.


Seguimos viagem para a costa oeste, onde paramos em Medewi para a cerimônia da maior Lua Cheia dos últimos anos. Todos no hotel estavam muito felizes com a presença do sacerdote que só aparece em ocasiões especiais. E eu feliz por ver tudo aquilo e tirando fotos sem parar. Um senhor me parou pra fazer as perguntinhas básicas que todo indonésio faz, e no meio da conversa me dei conta e perguntei se ele era o sacerdote. Sim, era ele! Comentando com o pessoal que trabalha no hotel sobre o ocorrido, todos ficavam impressionados: não é qualquer um que tem a honra de falar com o sacerdote! E isso foi exatamente o que senti quando descobri quem ele era, e foi a resposta que dei pra ele: é uma honra! Recebi a benção e o desejo de uma boa viagem. Com tantos deuses me protegendo, nada pode dar errado!

Esse sentado na casinha é o sacedote.

Cerimônia da Lua Cheia.


De Medewi recrutamos locais pra nos levar pra uma trilha no West Bali National Park. Dois dias de trilha, subindo e descendo morro com muita lama devido à época de chuva, muitas sanguessugas, plantas que irritam a pele, banho em cachoeira, fogueira pra esquentar a água do café, cozinhar o frango do jantar. E muitas frutas diferentes, que só Deus sabe o nome... Nessa noite houve um terremoto que não sentimos, pois dormimos em redes. E durante a noite muitos sons da floresta: macacos, mosquitos, veados...

Trilha no West Bali National Park.


Voltamos a Medewi e fomos então para Ubud. É realmente lindo, todos os hotéis tem um pequeno jardim central, com os quartos em volta. A cidade é uma obra de arte: esculturas que não acabam mais, muitos artistas locais com oficinas por todos os lados, restaurantes com vista para as plantações de arroz... Mas muito mais caro do que os outros lugares de Bali.

Entrada do meu hotel em Ubud.


De volta a Kuta, algo me dizia que eu devia ir para Lombok, outra ilha da Indonésia que não estava nos planos iniciais. Vamos?

domingo, 3 de abril de 2011

Oferendas

A maior parte da população de Bali é hindu, e bastante religiosa, senão até supersticiosa, pois não sei até que ponto os rituais são religião ou superstição. Sempre que fazem a primeira venda do dia, eles pegam a nota de dinheiro recebida e batem em cima de toda mercadoria que ainda tem por vender. E as oferendas então, estão por toda a parte, o tempo todo. E são elas que dão um cheiro especial a Bali, que eu senti e identifiquei quando cheguei e quando voltei de Lombok pra Bali. As oferendas consistem em cestinhas de palha, onde eles têm que colocar alimentos dentro e às vezes incenso.

Oferendas.


Tive uma explicação mais detalhada sobre isso com o Made, que foi meu guia na trilha que fiz de dois dias no West Bali National Park. O Made fez uma oferenda quando estávamos entrando na floresta, pedindo permissão pra entrar, depois fez outras duas no local do acampamento, que segundo ele uma era pros deuses outra pros espíritos da floresta. A dos deuses tem que ter quatro cores diferentes, sendo que não pode ter branco. E nesta se acende um incenso. Na outra, pode ter arroz, e é pra que os espíritos permitam a nossa estada na floresta. Segundo ele, interrompemos o caminho deles amarrando as redes às árvores, pois os espíritos se deslocam entre elas, então a oferenda acaba sendo quase uma compensação. Ele disse que na verdade é muito mais complexo do que isso, mas leigos como nós não conseguiríamos entender – nem ele explicar com seu inglês básico.


Nosso guia Made, pedindo permissão e proteção para entrar na floresta.


Os perigos de Bali

Bali é uma ilha perigosa. Quem fica aqui por um tempo corre o risco de pisar em uma das milhares de oferendas feitas constantemente pelos hindus. Ou pior, sair daqui para outro país e continuar abanando e cumprimentando todo mundo na rua ou na estrada, respondendo sempre as mesmas perguntas: de onde você é, qual o seu nome e pra onde você está indo. Outro perigo também é o de nunca chegar no horário planejado ao destino, devido as constantes paradas pra fotos nas estradas, onde facilmente pode-se acabar perdendo o olhar, nos infinitos terraços de plantação de arroz.

Por aqui não existe ficar sozinho, sempre alguém vai parar pra conversar ou pra pedir pra tirar uma foto – tem que cuidar muito pra não deixar a fama subir a cabeça! E além de populares, aqui viramos milionários, fazendo saques de dois milhões nos caixas eletrônicos (o que equivale na verdade a aproximadamente 200 dólares) e comprando mais do que se pode carregar, eventualmente. Mas os milhões também acabam sendo investidos em massagens diárias, oferecidas aqui em qualquer ruela de Kuta ou outras praias.

Enfim, quem vem pra Bali corre o sério risco de não querer mais sair. Ou então de ser obrigado a voltar um dia. Pronto, meu amor foi declarado!